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A.I.A – Aproveitamento Integral dos Alimentos

A sustentabilidade é um ato de equilíbrio. Essa definição surgiu na Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada pelas Nações Unidas.

O termo sustentabilidade vem sendo cada vez mais evidenciado e surgiu devido a necessidade da problematização a respeito da forma de como a sociedade vem explorando e utilizando os recursos naturais, visando alternativas para preservá-lo de modo que esses recursos não venham a se esgotar na natureza. A definição de sustentabilidade está atrelada ao conceito de desenvolvimento sustentável.

O desenvolvimento sustentável tem por objetivo atender às necessidades do presente sem comprometer o bem-estar das gerações futuras. A disponibilidade dos recursos naturais não é eterna e a exploração destes pela sociedade precisa ser muito bem planejada para que a vida no planeta continue viável, sobretudo no futuro. Sendo assim, o desenvolvimento sustentável visa despertar a consciência da sociedade como um todo, vinculada aos termos “legado” e “continuidade”, enfatizando a ideia de que os recursos naturais são finitos e precisam prevalecer para as próximas gerações.

A iniciativa precisa ser individual, partindo da força de vontade interna em acreditar que é possível mudar o modelo da sociedade em que estamos inseridos, e que é possível contribuir para essa mudança. A consciência individual é o primeiro grande passo. Se cada um for responsável por um ato de sustentabilidade, no coletivo, seremos capazes de um grande avanço.

A respeito da alimentação, a territorialidade é um aspecto fundamental da sustentabilidade. Quando um alimento vem de outra região ou de outro país existem implicações de cunho econômico e ambiental. O transporte desses alimentos gera poluição, impactando diretamente na natureza. Comprar produtos que não são da temporada também contribuem para a continuação da produção agrícola que não respeita o desenvolvimento natural de cada produto, modificando a cadeia natural de produção. A territorialidade por fim busca enaltecer os produtos da região e pequenos produtores locais, os quais são responsáveis pelo fornecimento de produtos mais frescos e orgânicos à população.

A declaração universal dos direitos humanos sustenta que todo ser humano tem direito à alimentação adequada uma vez que, segundo à mesma constituição, também tem garantido o direito à vida.

Porém na prática, mesmo em pleno século XXI, o desperdício representa um sério problema de produção, distribuição e aproveitamento dos alimentos.

O Brasil é um país privilegiado pelo clima e como consequência positiva, apresenta uma rica variedade de frutas, verduras, legumes. Porém toda essa safra de alimentos não vem sendo bem aproveitada pelos brasileiros, uma vez que um quarto de toda essa produção é desprezada. No Brasil, estima-se que cerca de 200 mil toneladas de alimentos são jogadas no lixo diariamente, levando em conta os descartes em supermercados, em feiras livres, estabelecimentos comerciais e no consumo doméstico.

Em um país onde a diversidade, quantidade e qualidade dos alimentos excedem a demanda, ainda existem brasileiros que não possuem acesso à alimentação básica. O cenário é triste, e apresenta um paradoxo, em que ao mesmo tempo que temos a fartura- que é mal aproveitada de um lado, temos a falta e escassez do outro. Essa desigualdade é também um assunto de cunho econômico e político no Brasil. O problema do desperdício e da fome é evidente no país, uma vez que a maior parte do lixo brasileiro é orgânico, advindo do aproveitamento incorreto dos alimentos na sua forma integral.

Dados do IBGE apontam que aproximadamente 30% da produção mundial de alimentos são desperdiçados devido às falhas no sistema de colheita, transporte, armazenagem e comercialização. No que diz respeito ao consumo, o desperdício se dá pela forma inadequada de armazenamento e refrigeração, falta de planejamento das compras e o não aproveitamento integral dos alimentos, desprezando erroneamente partes que poderiam ser consumidas. Por isso é tão importante enfatizar o aproveitamento integral dos alimentos e conscientizar a população sobre essa forma de alimentação em que além de ajudarmos o mundo, estamos ajudando a nós mesmos, nos nutrindo por completo, usando com sabedoria o que a natureza nos oferta.

O que é o aproveitamento integral dos alimentos (AIA)? É aproveitar o máximo possível do alimento, utilizando suas folhas, sementes, caules, cascas, tudo o que for possível aproveitar. Inclusive, em termos nutricionais, muitas vezes o teor nutricional dos alimentos está concentrado nas partes que são desprezadas.

Além de enriquecer a alimentação melhorando a qualidade nutricional, aumentando o aporte de vitaminas e minerais, o aproveitamento integral dos alimentos vem sendo adotado como uma prática sustentável ecologicamente correta, que permite a redução de gastos com alimentação, estimula a diversificação dos hábitos alimentares e contribui para minimizar o desperdício de alimentos.

O conceito do AIA deve ser praticado diariamente, a fim de eliminar os preconceitos existentes de que esse tipo de alimentação é somente para população de baixa renda. É preciso torná-lo e um novo hábito.

Utilizar o alimento em sua totalidade significa mais do que economia. Significa também utilizar os recursos disponíveis sem desperdício, reciclar, respeitar a natureza e alimentar-se bem, com prazer e dignidade. Aproveitar integralmente os alimentos não faz bem só ao meio ambiente e à sociedade, como também ao corpo e à mente.

Os benefícios do aproveitamento integral dos alimentos são muitos. Um deles está relacionado aos nutrientes presentes nos alimentos, uma vez que quando utilizados integralmente são responsáveis pelo fornecimento de uma maior quantidade de nutrientes disponíveis.

Nutrientes são as substâncias que compõe os alimentos, proporcionam energia, contribuem para o crescimento, desenvolvimento e manutenção da saúde do organismo. A deficiência de nutrientes pode acarretar mudanças fisiológicas e contribuir para o aparecimento de doenças.

Um exemplo básico no aumento do valor nutricional dos alimentos está na quantidade de fibras presentes nas cascas dos alimentos. As pessoas geralmente desprezam erroneamente as cascas e não usufruem de sua função primordial que está diretamente relacionada com a saúde do intestino. Outro exemplo verifica-se na composição nutricional de talos e folhas, que contêm mais ferro quando comparadas à couve manteiga e à couve flor.

Algumas formas práticas de aproveitamento integral dos alimentos (AIA):

Casca de abóbora assada com parmesão
Brownie de casca de beterraba
Chips de casca de cenoura
Chips de casca de batata
Bolo de casca de abacaxi
Chá de casca de abacaxi
Sopa de talos
Bolo de casca de banana
Uma ideia também é utilizar a água do cozimento dos alimentos para enriquecer as preparações.

Por Gabriela Moriconi
Nutricionista CRN-3 63891/P